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O luto : quando a dor precisa de ser ouvida

  • 6 de abr.
  • 2 min de leitura

Perder alguém ou algo importante — uma pessoa querida, uma relação, um emprego, um projeto de vida — é uma das experiências mais desestabilizadoras que podemos atravessar. O luto não diz respeito apenas à morte: acompanha qualquer perda significativa, seja ela súbita ou progressiva.


O que o luto faz ao corpo e à mente


Do ponto de vista clínico, o luto não é uma doença. É um processo natural, por vezes longo, que mobiliza profundamente o nosso sistema nervoso, a nossa biologia e os nossos recursos emocionais. As manifestações são numerosas e frequentemente mal compreendidas: tristeza intensa, irritabilidade, ondas de emoção imprevisíveis, perturbações do sono, perda de apetite, dificuldades de concentração, sensação de vazio ou de irrealidade. Por vezes é o corpo que fala antes da mente — fadiga crónica, dores difusas, quebra da imunidade.


Estes sintomas não significam que algo está errado consigo. Significam que amou.


As diferentes formas do luto


O luto não segue um caminho linear. Os modelos clássicos como o de Kübler-Ross (negação, raiva, negociação, depressão, aceitação) descrevem etapas possíveis — mas não obrigatórias, nem numa ordem fixa. Algumas pessoas sentem alívio antes da tristeza. Outras ficam presas na raiva. Outras ainda não identificam nenhuma emoção clara e interrogam-se sobre a sua própria reação.


Todas estas experiências são válidas. Não existe uma "forma certa" de fazer o luto.


Quando o luto se torna sofrimento clínico


Por vezes o processo complica-se. Fala-se de luto prolongado — reconhecido como entidade diagnóstica no DSM-5-TR e na CID-11 — quando o sofrimento se mantém muito intenso além de seis a doze meses após a perda, ao ponto de impedir o regresso à vida quotidiana. A pessoa pode sentir-se incapaz de acreditar na realidade da perda, evitar tudo o que recorda o falecido, ou pelo contrário ser invadida por pensamentos intrusivos. Um luto complicado pode também evoluir para um episódio depressivo major ou uma perturbação ansiosa — duas condições que respondem bem a um acompanhamento adequado.


Outros sinais merecem atenção: o consumo de álcool ou substâncias para anestesiar a dor, um isolamento social progressivo, pensamentos sombrios, ou a incapacidade de assumir responsabilidades profissionais ou parentais durante um período prolongado.


O que um acompanhamento pode trazer


A psiquiatria e a psicologia não procuram apagar a dor do luto — isso seria negar o que a perda representa. Oferecem um espaço para atravessar essa dor sem nela se perder. Uma avaliação clínica permite distinguir um luto normal de um luto complicado, e orientar para as ferramentas mais adequadas: psicoterapia, apoio medicamentoso se necessário, ou simplesmente um espaço de escuta regular.


Consultar não é uma fraqueza. É reconhecer que certas dores merecem um espaço profissional para serem atravessadas — e que não tem de as carregar sozinho(a).


A sua saúde é a nossa prioridade — A equipa Cabinet Vade



 
 
 

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